O Sistema Único de Saúde, o SUS, é uma das maiores conquistas sociais da história brasileira. Sua criação não foi obra de apenas um governante, mas resultado da mobilização de profissionais da saúde, pesquisadores, movimentos sociais e cidadãos que participaram do Movimento da Reforma Sanitária.
A proposta ganhou força durante a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986. Dois anos depois, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a saúde é direito de todos e dever do Estado. O SUS foi regulamentado pelas leis nº 8.080 e nº 8.142, ambas de 1990. A história é explicada pela Fiocruz.
Antes do SUS, o atendimento público estava ligado principalmente à Previdência Social e alcançava, sobretudo, os trabalhadores com emprego formal. Milhões de brasileiros dependiam de instituições filantrópicas, da caridade ou do pagamento direto. Com o novo sistema, o acesso à saúde passou a ser reconhecido como direito de toda a população, independentemente de renda, profissão ou contribuição previdenciária.
O SUS está presente em muito mais lugares do que percebemos. Ele atua nas unidades básicas de saúde, campanhas de vacinação, distribuição de medicamentos, transplantes, atendimento de urgência, vigilância sanitária, controle de epidemias, tratamento do câncer e acompanhamento de gestantes e crianças. Até mesmo quem possui plano de saúde é beneficiado pelas ações de vacinação, fiscalização de alimentos e medicamentos e controle de doenças.
Por sua dimensão e pelo princípio do acesso universal, o SUS é visto internacionalmente como uma experiência importante de saúde pública. A Organização Pan-Americana da Saúde o considera uma fonte de conhecimento para outros países e uma referência de compromisso com a universalidade e a participação social. O relatório da OPAS destaca essas contribuições.
Isso não significa que o sistema não tenha problemas. Filas, demora em alguns atendimentos, diferenças entre as regiões, falta de profissionais e financiamento insuficiente precisam ser enfrentados. Reconhecer essas dificuldades, porém, não diminui o valor do SUS. Ao contrário, mostra a necessidade de protegê-lo e aperfeiçoá-lo.
O SUS não é um favor do governo nem um serviço sem custos: ele é financiado pela sociedade por meio dos impostos. É um patrimônio público que demonstra ao mundo que um país continental e desigual pode assumir a saúde como direito de todos. Defender o SUS é defender a vida, a dignidade e a própria democracia.

Mín. 22° Máx. 31°
Mín. 22° Máx. 37°
Parcialmente nubladoMín. 24° Máx. 39°
Tempo limpo



