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São Cristóvão paga a conta de um trânsito que chegou ao limite

Viadutos construídos na travessia urbana da BR-163 são necessários, mas chegaram depois de anos de crescimento previsível; enquanto isso, a população enfrenta congestionamentos, desvios, riscos e perda de tempo

10/09/2026 07h27 Atualizada há 19 horas atrás
Por: Ivan Amorim
São Cristóvão paga a conta de um trânsito que chegou ao limite

Quem passa diariamente pelo bairro São Cristóvão conhece uma realidade que nenhuma propaganda consegue esconder: o trânsito de Sinop chegou a um ponto insustentável. Caminhões, motocicletas, automóveis, ônibus e pedestres disputam espaço em uma região que cresceu, recebeu novos empreendimentos e continuou dependendo de uma estrutura viária insuficiente.

Os novos viadutos representam um avanço importante. O pacote anunciado para a travessia urbana prevê investimento de aproximadamente R$ 370 milhões, duplicação de 26 quilômetros, adequação de outros 17 quilômetros e construção de seis viadutos. São obras necessárias para uma cidade que ultrapassou os limites da infraestrutura planejada décadas atrás.

A pergunta, porém, precisa ser feita: por que essas intervenções só chegaram quando o problema já havia se tornado quase impossível de suportar?

O crescimento de Sinop não aconteceu de uma hora para outra. O aumento da população, da frota, dos empreendimentos comerciais e da circulação de caminhões pela BR-163 era conhecido. Mesmo assim, durante anos, moradores e trabalhadores do São Cristóvão conviveram com congestionamentos, acessos perigosos e dificuldades para atravessar de um lado para o outro da rodovia.

Agora, durante as obras, a população também enfrenta mudanças de sentido, desvios, bloqueios e trajetos maiores. É compreensível que uma intervenção desse tamanho cause transtornos temporários. O que não pode ser tratado como normal é a ausência de planejamento antecipado. Quando o poder público age somente depois do colapso, quem paga a conta é o cidadão, com mais combustível, atrasos no trabalho, riscos de acidentes e horas perdidas no trânsito.

Também não basta construir viadutos. É necessário reorganizar as vias marginais, melhorar a sinalização, criar travessias seguras para pedestres e ciclistas, fiscalizar o transporte pesado e acompanhar o funcionamento de cada acesso depois da liberação.

Obra pública não deve ser apresentada como favor. É obrigação de quem administra prever o crescimento da cidade e agir antes que a situação se torne insustentável. No trânsito, a demora também tem um preço — e, como quase sempre acontece, quem perde é o povo.

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