Cláudia Miranda Franco ocupa hoje um lugar de destaque entre as escritoras de Sinop e do Norte de Mato Grosso. Sua importância não está apenas na quantidade de obras publicadas, mas na coerência de uma produção que aproxima literatura, pesquisa, educação e compromisso social.
Nascida na Cidade de Goiás e radicada em Sinop, Cláudia é professora, mestre em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso e doutoranda em Estudos Literários pela Unesp. Suas pesquisas abordam temas como violência, marginalidade, política e memória. Também integra grupos acadêmicos dedicados à literatura produzida por pessoas negras e à representação dos grupos historicamente excluídos.
Essa ligação entre estudo e criação aparece em Todas as vidas: mulheres, marginais e maltrapilhos em Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, publicado pela Editora Unemat em 2023. Na obra, Cláudia analisa a poesia de Cora Coralina e mostra como a literatura pode revelar desigualdades e devolver visibilidade às pessoas colocadas à margem da sociedade.
Em seus livros literários, a autora escreve sobre o corpo feminino, as dores herdadas, a ancestralidade e a reconstrução da própria identidade. Moenda, seu livro de estreia, experiências pessoais e problemas coletivos aparecem juntos, passando pelo racismo, pela violência contra as mulheres, pelo negacionismo e pelas marcas deixadas pela história. Em Entre sinais e silêncios reúne poemas nos quais o silêncio deixa de representar submissão e se transforma em espaço de memória e resistência.
Já Aos que me habitaram apresenta uma escrita mais íntima, mas igualmente política. Ao revisitar relacionamentos, lembranças familiares e histórias de suas antepassadas negras e indígenas, Cláudia transforma feridas em consciência e afirma a possibilidade de a mulher reconstruir sua própria narrativa.
A autora também conversa com o público infantil. Em Lila, Lolô e as coisas miúdas, a relação entre uma avó e suas netas é apresentada por meio da natureza, do cuidado e da paciência. O livro mostra que a representatividade pode começar cedo, em histórias capazes de valorizar o afeto, a família e os conhecimentos transmitidos entre gerações.
Sua atuação no Coletivo Negras Mato-grossenses amplia o alcance dessa escrita. O grupo promove livros, saraus, oficinas, rodas de leitura e atividades em escolas, bibliotecas e espaços públicos. Nesse trabalho, escrever é também enfrentar o racismo, preservar memórias e abrir caminhos para outras mulheres negras.
Por reunir poesia, literatura infantil, crítica acadêmica e militância cultural, Cláudia Miranda Franco consolidou-se como uma das escritoras mais relevantes da região. Sua produção ajuda a mostrar que o Norte de Mato Grosso não é apenas cenário de desenvolvimento econômico: é também território de memória, diversidade e criação literária.
Fontes: Editora Unemat; Ruído Manifesto; Momento MT. Também foram consultados os originais de Entre sinais e silêncios, Moenda, Lila, Lolô e as coisas miúdas e Aos que me habitaram.
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