A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou testes com uma tecnologia capaz de calcular a velocidade média dos veículos durante um trecho da rodovia. Diferentemente do radar tradicional, que registra a velocidade em um único ponto, o novo sistema considera a distância percorrida e o tempo gasto pelo motorista entre dois locais de monitoramento.
Na prática, um equipamento registra a passagem do veículo no início do trecho e outro identifica o momento em que ele chega ao ponto seguinte. A partir dessas informações, o sistema calcula a velocidade média desenvolvida durante o percurso.
Em uma estrada com limite de 60 quilômetros por hora, por exemplo, um veículo precisa gastar ao menos um minuto para percorrer cada quilômetro. Se os dois equipamentos estiverem separados por 2,5 quilômetros, o trajeto deverá durar pelo menos dois minutos e 30 segundos. Um tempo menor indicaria velocidade média acima do limite.
A tecnologia dificulta uma prática comum: reduzir a velocidade somente ao se aproximar do radar e acelerar novamente logo depois. Com o novo modelo, o comportamento do motorista é acompanhado durante todo o trecho monitorado.
Os testes terão caráter técnico, educativo e experimental. Segundo a ANTT, nesta fase, a velocidade média registrada não poderá, sozinha, gerar multa ou qualquer outra penalidade. Isso não impede que os radares convencionais continuem aplicando multas por infrações registradas em pontos específicos.
Os projetos serão realizados inicialmente em trechos de rodovias do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Na BR-163, o teste acontecerá entre os quilômetros 620 e 630, em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul. Até o momento, Mato Grosso não aparece entre os estados incluídos nesta etapa.
Os trechos deverão receber sinalização informando os motoristas sobre o monitoramento. As concessionárias também terão de encaminhar relatórios mensais para que a ANTT avalie a confiabilidade dos equipamentos, o comportamento dos condutores e o desempenho do sistema.
Uma eventual aplicação de multas por velocidade média dependerá dos resultados dos testes, além de novas avaliações técnicas, jurídicas e regulatórias. Por enquanto, a novidade deve ser entendida como uma experiência de segurança viária, e não como uma nova forma de punição já em vigor.
Fontes: ANTT e Campo Grande News.

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